Gaspar, de 31 anos, foi preso nesta quinta-feira (24), em Rondônia. Condenado a 41 anos de reclusão por roubo e homicídio, ele havia fugido do Departamento de Flagrantes da Polícia Civil. Quando os policiais o encontraram, não parava de rir. Ainda deu trabalho para entrar na viatura.
Talvez Gaspar achasse aquela cena engraçada. Quem já recebeu a notícia de que uma pessoa amada foi assassinada sabe que não é. Uma condenação por homicídio carrega uma vida interrompida e uma família que terá de conviver para sempre com a ausência.
O roubo também deixa marcas: o medo, a lembrança da ameaça, a dificuldade de voltar a se sentir seguro.
Por isso, aqueles risos causam tanta revolta. Não sabemos o que se passava pela cabeça dele. Mas ver um condenado por crimes tão graves rir diante dos policiais, depois de fugir, passa a impressão de que nada daquilo tem peso. E tem. Tem peso para as vítimas, para suas famílias e para os agentes que precisaram sair à sua procura.
A polícia o recapturou. Isso merece ser reconhecido. Mas a fuga e a cena da prisão também exigem respostas. Como ele conseguiu escapar? O que será feito para impedir que aconteça de novo? A população precisa ter confiança de que uma condenação de 41 anos será cumprida com a seriedade que ela exige.
Há quem olhe para o riso de Gaspar e veja apenas uma cena curiosa. Eu vejo o abismo entre a despreocupação de um condenado e a dor de quem sofreu a violência. Vejo também a aflição de famílias que, todos os dias, rezam para que seus filhos voltem vivos para casa.







