Flávio mobiliza aliados para conter desgaste com episódio do Bolsa Família

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta afastar o temor de cortes no Bolsa Família depois que declaração da coordenadora econômica, Daniella Marques, deu aos adversários novo argumento para questionar quais despesas o senador pretende reduzir caso seja eleito presidente.

O desgaste chega na semana em que os beneficiários começam a receber o reajuste concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno, que ocorrerá no domingo (25/10).

A reação acontece em meio à rodada final de viagens e às vésperas do último debate entre os candidatos. Na quarta (21/10), Flávio deve passar por São Paulo e pelo Ceará, onde aliados trabalham para ampliar sua votação.

Depois, deverá bloquear a agenda e ficar no Rio de Janeiro a fim de se preparar para o confronto da TV Globo, na próxima sexta-feira (23/10). O senador deve encerrar a campanha no sábado (24/10), com agendas em Minas Gerais e no Rio.

Enquanto se dedica à reta final das eleições, o senador deve, segundo aliados, reforçar falas em defesa de programas sociais, em uma tentativa de manter e ampliar o apoio de eleitores que dependem da assistência do governo.

Aliados do filho mais velho de Jair Bolsonaro avaliam que o tema já era uma “pedra no sapato” da campanha, que sofre ataques do adversário por não explicar as suas promessas econômicas e por não deixar claro como se dará a proposta de um corte de R$ 200 bilhões nas contas públicas. A entrevista de Daniella à CBN Bahia, na segunda (19/10), ampliou essa dificuldade.

Na avaliação de membros da campanha, ao falar sobre a proposta de transição, a coordenadora econômica de Flávio abriu espaço para que governistas tratassem o prazo como uma ameaça à continuidade dos pagamentos.

Aliados do senador relataram desconforto com a entrevista e disseram, em reserva, que a ex-presidente da Caixa não foi clara ao explicar a sua proposta.

O PT, por exemplo, vinculou a fala à promessa de Flávio de cortar R$ 200 bilhões em despesas públicas, dizendo que os cortes atingiriam programas sociais. A associação, que acompanha Flávio Bolsonaro desde o início da campanha, é combatida pelo entorno do senador.

Contagem regressiva para as urnas

Comícios poderão ocorrer até quinta-feira (22/10).

Propagandas pagas ou impulsionadas na internet também acabarão na quinta.

O horário eleitoral gratuito e os debates no rádio e na TV terminam na sexta (23/10).
Caminhadas, carreatas e distribuição de santinhos serão permitidas até as 22h de sábado (24/10).

O segundo turno será no domingo (25/10), com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. A divulgação dos resultados começa após o fechamento das urnas.

Contenção

Flávio publicou um vídeo nas redes para rebater as falas. O candidato disse que o pagamento continuaria por até dois anos após a obtenção de emprego ou a abertura de uma empresa. Também prometeu o retorno ao programa no mesmo dia caso a pessoa fosse demitida ou o negócio não desse certo.

Parte dessa proteção já existe. Pelas regras atuais, conseguir um emprego formal não provoca, por si só, o desligamento. As famílias que ultrapassam o limite de renda podem continuar recebendo metade do benefício durante um período, dentro dos critérios do programa. Também há previsão de retorno para famílias que voltem à pobreza.

A preocupação com um eventual desgaste aumenta com a chegada do reajuste aos beneficiários. O governo Lula aumentou os benefícios em 15%, e os pagamentos começaram nesta semana.

O entorno de Flávio conta com o apoio de aliados eleitos e influentes nas redes sociais para rebater e divulgar as falas do senador sobre o Bolsa Família. O PL tem pedido a seus membros para reforçar a divulgação de propostas do senador e veicular a imagem do candidato nas redes.

Além disso, a campanha pretende reforçar, nos últimos dias do segundo turno, uma estratégia para alcançar eleitores fora do bolsonarismo. O candidato conta com o apoio de aliados que já resolveram suas disputas no primeiro turno. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) mobilizam prefeitos e vereadores para pedir votos.

No Nordeste, o PL indicou o candidato a vice de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), para reforçar a presença do candidato. O senador irá a Fortaleza na quarta. Outro nome que tem sido frequente nas mobilizações, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) deverá participar de outro ato na capital, na sexta, quando o presidenciável estará no debate.

Com informações do ac24horas

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