A dificuldade para encontrar e reter trabalhadores está forçando uma mudança prática em empresas de diversos setores no Brasil. Diante de um mercado de trabalho aquecido e com milhões de vagas abertas, companhias estão adotando o fim da escala 6×1 em empresas no Brasil como estratégia para atrair talentos e reduzir a rotatividade, antecipando-se até mesmo a uma possível alteração na legislação.
Por que as Empresas Estão Mudando?
O principal motor por trás da decisão é a escassez de mão de obra. No ano passado, somente o setor de supermercados estimou um déficit de 350 mil trabalhadores, segundo a associação do setor. Com menos pessoas disponíveis no mercado, as empresas precisam se tornar mais atraentes. Oferecer o fim da escala 6×1, proporcionando duas folgas semanais em vez de uma, tornou-se um diferencial competitivo poderoso na guerra por talentos.
Redes como o Grupo Savegnago e o Pague Menos, ambas com milhares de funcionários no interior paulista, implementaram a escala 5×2 (trabalhando cinco dias e folgando dois) sem reduzir salários e mantendo a carga horária semanal de 44 horas, apenas ajustando a jornada diária. O resultado, segundo os RHs das companhias, foi imediato: o número de candidatos por vaga dobrou em alguns casos, e as faltas e os pedidos de demissão caíram significativamente.
Benefícios Observados: Produtividade e Saúde
Os relatos de quem já adotou o modelo mostram ganhos que vão além da atração de candidatos. No hotel de luxo Palácio Tangará, em São Paulo, que oferece escala 5×2 com 42 horas semanais, a produtividade “aumentou, com certeza”, na avaliação do diretor geral. “Todos produzem melhor estando descansados, com vida social ativa”, afirma.
Na MOL Impacto, uma empresa do terceiro setor que adotou a escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de folga), a CEO Roberta Faria destaca a queda drástica nos afastamentos por saúde. “Reduzimos drasticamente os afastamentos por doença, otimizamos custos e retivemos o capital intelectual”, conta. Para ela, as vagas hoje atraem talentos que buscam qualidade de vida acima de salários maiores em empresas tradicionais.
O fim da escala 6×1 empresas Brasil também trouxe impacto humano. Funcionários como Francisca Maria Chaves, chefe de rotisseria no Pão de Açúcar, e Maria Carolina Sabbag, gerente de hotel, celebram a possibilidade de organizar a vida pessoal, ir ao médico, cuidar da casa e ter, finalmente, um dia dedicado ao lazer e à família.
Resistências e Desafios
Apesar dos casos de sucesso, a mudança enfrenta forte resistência em setores como a indústria e o abate de alimentos. Empresários argumentam que a redução da jornada, se vier por lei, aumentará os custos e poderá inviabilizar negócios pouco automatizados. Um estudo do Ipea citado na matéria aponta que o custo do trabalhador pode subir entre 7,8% e 17,5%, dependendo da redução. Já o impacto no desemprego é incerto: enquanto um estudo do CLP projeta possível corte de vagas, o próprio Ipea avalia que o efeito pode ser menor do que o de reajustes históricos do salário mínimo.
Para Pedro Braga, do frigorífico Tropeira Alimentos, a produtividade não aumenta só com descanso. “Qualquer um vai querer trabalhar menos e ganhar o mesmo. Não sou contra a redução da jornada, mas antes precisa aumentar a produtividade”, defende.
O Debate no Congresso
Paralelamente às mudanças voluntárias no mercado, o Congresso Nacional se prepara para votar o fim da escala 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta, prometeu pautar o tema até maio, possivelmente com um projeto de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O movimento é visto como uma resposta ao “clamor popular” e deve se tornar uma bandeira importante na eleição presidencial.
Enquanto o futuro legal da jornada de trabalho não é definido, o mercado já dá sinais claros de que, para reter e atrair talentos, o fim da escala 6×1 em empresas no Brasil deixou de ser apenas uma reivindicação e se tornou uma vantagem competitiva real no mundo corporativo.
Fonte: UOL Economia
Redigido por Acre Atual







