O governo dos Estados Unidos aprofundou o planejamento de uma possível ação militar contra o Irã, que pode incluir ataques direcionados a líderes e comandantes do regime de Teerã. De acordo com duas fontes americanas ouvidas pela agência Reuters, as opções sobre a mesa estão em estágio avançado e aguardam apenas uma decisão do presidente Donald Trump para serem executadas. Os EUA planejam ataques contra Irã líderes como parte de uma estratégia que também contempla a possibilidade de tentar promover uma mudança de regime no país persa.
Planejamento Avançado e Lições de Israel
Segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato, o planejamento militar atual vai além das opções divulgadas na semana passada, que incluíam ataques a instalações de segurança e à infraestrutura nuclear iraniana. Agora, a ideia de alvejar indivíduos ganhou força, inspirada pelo sucesso de operações israelenses durante o conflito de 12 dias com o Irã no ano passado, no qual pelo menos 20 comandantes de alta patente foram mortos.
“A guerra de 12 dias e os ataques israelenses contra alvos individuais realmente demonstraram a utilidade dessa abordagem”, afirmou um oficial americano, destacando que o foco estaria em figuras-chave envolvidas no comando e controle das forças da Guarda Revolucionária Islâmica, classificada como organização terrorista pelo governo Trump desde 2019. No entanto, o oficial alertou que EUA planejam com a ciência de que essa estratégia exige um volume muito maior de recursos de inteligência para localizar com precisão os alvos e avaliar os riscos colaterais.
Mudança de Regime e o Precedente Soleimani
A possibilidade de uma mudança de regime em Teerã também passou a ser discutida abertamente. O próprio Trump mencionou o tema na semana passada, afirmando que “parece que essa seria a melhor coisa que poderia acontecer”. Embora não tenha detalhado quem assumiria o poder, o presidente sinalizou que “há pessoas” para isso.
Caso a ordem seja dada, os militares americanos teriam que executar a tarefa sem uma grande invasão terrestre, provavelmente utilizando forças de operações especiais, numa estratégia semelhante à tentativa de capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro, em Caracas, no mês passado. O precedente mais notório para esse tipo de ação, no entanto, foi o assassinato seletivo do general Qassem Soleimani, líder da Força Quds, ordenado por Trump em 2020. A certeza de que os EUA planejam ataques contra o Irã novamente reacende o temor de uma escalada mortal na região.
Pressão por Acordo e Ameaça de Retaliação
Paralelamente ao avanço do planejamento militar, Trump também mantém a pressão por uma solução diplomática. Na quinta-feira (19), ele afirmou que “coisas muito ruins” acontecerão se nenhum acordo for alcançado, sugerindo um prazo de 10 a 15 dias para que os EUA possam tomar alguma medida.
Do outro lado, o Irã já emitiu alertas. A Guarda Revolucionária afirmou que pode retaliar contra bases militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio — em países como Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Turquia — caso seu território seja atacado. Em carta à ONU, o regime iraniano declarou que não iniciará uma guerra, mas que responderá “de forma decisiva e proporcional” a qualquer agressão, no exercício de seu direito de autodefesa.
Autoridades americanas reconhecem que um ataque provavelmente provocaria uma resposta iraniana, aumentando o risco de baixas americanas e de um conflito regional de proporções imprevisíveis. Enquanto isso, o mundo acompanha a tensão, ciente de que EUA planejam ataques contra Irã líderes e de que uma nova guerra no Oriente Médio pode estar a uma canetada de distância.
Fonte: CNN Brasil
Redigido por Acre Atual







