A percepção de que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), teria sido seletivo na divulgação dos sigilos do caso Master ganhou força nas redes sociais e ajudou a deslocar o centro da discussão sobre o embate com o ministro Alexandre de Moraes. É o que aponta um levantamento da Timelens, que monitora a repercussão do episódio nas principais plataformas digitais.
A narrativa crítica a Mendonça está associada, segundo os dados da Timelens, à discussão sobre quais informações foram tornadas públicas e quais permaneceram sob sigilo.
O levantamento monitorou as menções a Alexandre de Moraes, André Mendonça, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao senador Flávio Bolsonaro/Dark Horse. Entre os quatro termos analisados, Mendonça passou a concentrar o maior volume individual de citações.
Entre 22h de 10 de setembro e 16h de 11 de setembro, Mendonça somou 1,645 milhão de menções, o equivalente a 35% do total. Daniel Vorcaro aparece em segundo lugar, com 1,247 milhão (26,5%), seguido por Flávio Bolsonaro/Dark Horse, com 1,025 milhão (21,8%), e Moraes, com 784 mil (16,7%).
Para Renato Dolci, cientista político e diretor de dados da Timelens, a mudança revela uma disputa de narrativas que se reorganiza rapidamente conforme novos elementos entram na discussão.
“Estamos vendo uma eleição sendo disputada por personagens que sequer estão nas urnas. A conversa digital muda de protagonista em questão de horas: Moraes, Vorcaro, Mendonça, Flávio Bolsonaro, Dark Horse.”
A repercussão envolvendo Flávio Bolsonaro e a produção do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também cresceu de forma significativa no período. Moraes e Vorcaro somaram 1,97 milhão de menções nas 18 horas analisadas, contra 845 mil de Flávio Bolsonaro/Dark Horse.
A diferença, que antes da liberação dos arquivos chegava a 6,7 vezes, caiu para 2,33 vezes. Em interações, foram 58 milhões para Moraes/Vorcaro e 29,7 milhões para Flávio Bolsonaro/Dark Horse, quase o dobro do volume.







