Acre Atual

Enviado de Trump cria novo ponto de tensão entre EUA e Brasil ao tentar visitar Bolsonaro

A tentativa do assessor especial de Donald Trump, Darren Beattie, de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão reacendeu as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Apés desconfiar do real objetivo da viagem, que também incluiria encontros com lideranças da oposição, o governo brasileiro revogou o visto do norte-americano. O presidente Lula condicionou a entrada de Beattie à liberação dos vistos do ministro Alexandre Padilha e sua família, também barrados pelos EUA. O Itamaraty citou omissão de informações no pedido de visto. O caso ocorre às vésperas de uma reunião entre Lula e Trump.
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Darren Beattie
Arte/Metrópoles

O que parecia ser uma visita de baixo perfil transformou-se em uma nova crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. A tentativa do assessor especial de Donald Trump, Darren Beattie, de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão gerou uma série de reações em Brasília que culminaram com a revogação de seu visto e a proibição de sua entrada no país, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A trama da visita

Beattie, que é assessor sênior do governo Trump para assuntos brasileiros e um crítico declarado do ministro Alexandre de Moraes e do governo Lula, planejava vir ao Brasil entre os dias 16 e 17 de março. A agenda incluía, além de um evento sobre minerais críticos em São Paulo, um encontro com Bolsonaro na Papudinha e uma reunião com o líder da oposição na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL). Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes chegou a autorizar a visita, mas mudou de ideia após o chanceler Mauro Vieira alertar que o encontro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil em ano eleitoral.

Revogação e reciprocidade

O Itamaraty revogou o visto de Beattie, alegando que ele omitiu informações sobre o real motivo de sua viagem ao solicitar a entrada no país. O presidente Lula foi além e declarou que o assessor de Trump está proibido de entrar no Brasil enquanto os EUA não liberarem os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua mulher e filha, também bloqueados. “Aquele cara americano que disse que viria para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde”, afirmou Lula. O episódio reacende as tensões entre os dois países, que viviam um momento de trégua após as negociações que suspenderam tarifas e sanções. O caso ocorre às vésperas de uma reunião aguardada entre Lula e Trump, e em meio a outros pontos de atrito, como a possível classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas pelos EUA.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

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