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Empresários preparam contra-ataque ao fim da jornada 6×1 com estudos e ofensiva no Congresso

Entidades patronais planejam atrasar votação da PEC para depois das eleições, encomendam pesquisas e estudos de impacto e preparam propostas alternativas, como redução gradual da jornada para 40 horas semanais.
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Manifestação 6x1
Foto: Tânia Rego | Agência Brasil

A ofensiva do governo e do Congresso para acabar com a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) encontrou forte resistência organizada do setor produtivo. Associações empresariais, frentes parlamentares e especialistas estão unindo forças num plano para tentar frear a proposta. A estratégia inclui desde postergar a votação até a elaboração de estudos e campanhas publicitárias que mostrem os supostos impactos negativos da medida. O movimento marca o contra-ataque ao fim da jornada 6×1 em várias frentes.

Estratégia: Ganhar Tempo e Apresentar Alternativas

O principal objetivo do plano, segundo fontes ouvidas pela reportagem, é atuar para que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) só seja votada depois do pleito de outubro. O raciocínio é que, em ano eleitoral, o Congresso fica mais sensível ao apelo popular, o que tornaria a aprovação da matéria quase inevitável. “A ideia não é atrasar. É discutir no tempo certo, sem afogadilho. O que a gente não defende é votação rápida com finalidade eleitoreira”, afirmou Vander Costa, presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Enquanto tentam ganhar tempo, os empresários preparam um arsenal de argumentos. Estudos de impacto econômico estão sendo encomendados para quantificar o aumento de custos para as empresas e o possível reflexo nos preços para o consumidor. Pesquisas de opinião também devem ser realizadas para testar se o apoio popular à medida se mantém quando a população é informada sobre as possíveis consequências, como demissões e aumento da informalidade.

No campo político, a ofensiva será na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e em comissões especiais. As frentes parlamentares ligadas ao empreendedorismo já preparam mais de dez pedidos de audiências públicas para alongar o debate e esvaziar a pressão por uma votação rápida.

As Propostas Alternativas em Discussão

Diante da força do movimento social pelo fim da escala 6×1, os empresários sabem que não basta apenas ser contra. Por isso, o plano inclui a apresentação de propostas alternativas. Entre as ideias que ganham força estão:

  • Redução gradual da jornada: Em vez de uma mudança brusca, a proposta é reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas de forma escalonada, por exemplo, diminuindo uma hora por ano a partir de 2027.
  • Jornada flexível com remuneração por hora: Inspirada no modelo americano, a ideia é permitir que trabalhadores e empresas negociem jornadas variáveis, com pagamento baseado nas horas efetivamente trabalhadas.
  • Desoneração da folha de pagamentos: Como contrapartida ao possível aumento de custos com contratações, o setor sugere que o governo reduza os encargos trabalhistas sobre a folha de salários para todas as empresas.

O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, reconhece a força da pauta, mas defende alternativas. “A jornada 4×3 [proposta original de Erika Hilton] é uma bomba, quebra até o governo. A 5×2 já começa a melhorar. Mas é melhor falar em redução de jornada do que em redução de dias”, argumenta.

Impactos e Resistência Setorial

Setores como o de transportes e o de bares e restaurantes são os que mais vocalizam preocupações. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que o fim da escala 6×1 pode gerar um aumento de 20% nos gastos com folha de pagamento, o que levaria a um reajuste de cerca de 7% nos preços finais. “É muito difícil você propor que alguém trabalhe menos e essa pessoa ser contra, mas não está claro para ninguém o impacto pesado e grave para o custo dos serviços”, afirma Paulo Solmucci, presidente da entidade.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em nota, defendeu “separar o debate técnico do calendário eleitoral”. Já a CNT questiona se este é o momento adequado para a mudança, dada a dificuldade de preenchimento de vagas em setores como o de transporte. Enquanto os empresários se organizam, o governo Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, seguem empenhados em pautar a matéria, num dos maiores embates trabalhistas dos últimos anos.

Fonte: Folha de S.Paulo

Redigido por Acre Atual

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