Google ADS

Egípcio de 32 anos troca continentes pela aviação regional do Acre e realiza sonho de voar na Amazônia

Ahmed Akram, que já viveu em 10 países, escolheu o Brasil para se formar piloto e agora integra a equipe da Ortiz Táxi Aéreo no estado. Ele conta os desafios de voar na região, as diferenças culturais e os planos para o futuro.
Compartilhar
Egipcio Acre
Foto: Whidy Melo/ac24horas

Aos 32 anos, o egípcio Ahmed Akram Elsayed Abdalla Ramadan já cruzou continentes, viveu em dez países e acumulou experiências que vão das areias do deserto às pistas curtas da Amazônia. Movido por um sonho de infância, ele escolheu o Brasil para se tornar piloto e, desde há três meses, integra a equipe da Ortiz Táxi Aéreo no Acre. A trajetória deste egípcio no Acre é uma história de determinação, paixão por voar e adaptação a novos desafios.

Uma Jornada pelos Céus do Mundo

Nascido no Egito, Ahmed já morou na China, Uzbequistão, Moçambique, Geórgia, Chipre, Suíça, Espanha (incluindo as Ilhas Canárias), Paraguai, Argentina e, finalmente, Brasil. Antes de se dedicar integralmente à aviação, ele trabalhou como instrutor de paraquedismo em seu país natal, mas a meta de se tornar piloto profissional nunca o abandonou. “Esse é um sonho de infância. Para mim não importa onde eu vou voar, o importante é estar voando”, resume.

A escolha do Brasil para a formação teve um motivo prático e financeiro. Enquanto no Egito o custo para obter a licença de piloto chega a cerca de 60 mil dólares (aproximadamente R$ 330 mil), no Brasil o valor pode variar entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. “No meu caso, consegui fazer por menos”, conta Ahmed. Ele iniciou os voos no Aeroclube de Goiás, em Goiânia, e depois buscou habilitações em São Paulo e no Paraná, acumulando horas e experiência até chegar à licença comercial. A saga deste egípcio começou a ganhar forma.

Desafios e Encantos da Amazônia

Há três meses no estado, Ahmed está em treinamento operacional na Ortiz Táxi Aéreo, procedimento padrão para alinhar sua experiência à doutrina da empresa. Voar na Amazônia, para ele, é um desafio profissional ímpar. “A região é bruta. Não tem muitas alternativas. As pistas são curtas, o clima é muito instável, chove bastante, o tempo fecha rápido. Você precisa conhecer muito bem a aeronave e operar com precisão, tanto na decolagem quanto no pouso”, relata.

Ele compara a realidade da aviação regional brasileira com a do Egito, destacando as diferenças geográficas. “O Egito é como se fosse um estado brasileiro. Um voo de três horas aqui, como Rio Branco–Brasília, lá já seria internacional, chegando à Europa. Não existe essa estrutura de táxi aéreo e aviação executiva como aqui, especialmente na região Norte, onde muitas comunidades dependem do avião ou do barco.” A experiência o coloca em contato direto com uma realidade amazônica que muitos pilotos jamais conhecerão.

Adaptação e Futuro

Antes de chegar ao Acre, Ahmed viveu no Pará, o que facilitou a adaptação ao calor e à umidade da região. Ele destaca a receptividade do povo acreano. “Achei o povo aqui mais tranquilo, mais simples, mais acolhedor e amigável. O clima é muito quente e úmido, mas estou gostando. A comida é diferente e muito boa”, afirma. Ele vive sozinho no estado, enquanto a esposa brasileira permanece em Goiânia, e faz uma analogia bem-humorada sobre a rotina do piloto: “A gente está sempre viajando. Sou solteiro para trabalhar, não para relacionamento.”

Sobre o futuro, Ahmed mantém os pés no chão e a cabeça nos céus. Sem frescura para trabalhar, ele diz estar focado em evoluir na carreira onde houver oportunidade, seja no Brasil, no Egito ou em qualquer outro lugar. Por enquanto, o destino é o Acre, e a história serve de inspiração, mostrando que os sonhos não têm fronteiras e que a paixão por voar pode unir mundos tão distantes como o deserto e a floresta amazônica.

Fonte: Ac24horas

Redigido por Acre Atual

Rolar para cima