SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A B22, criptomoeda promovida com pedidos de voto em Flávio Bolsonaro (PL), acumulava queda de 86% na tarde desta sexta-feira (15 ) em relação a seu pico, uma semana após ser lançada. Os responsáveis pela iniciativa anunciaram o encerramento das operações e divulgaram um vídeo no qual admitem ter associado o projeto à política para ganhar visibilidade e pedem desculpas.
Como revelou a Folha de S.Paulo, o projeto oferecia moedas digitais a usuários que compartilhassem conteúdos favoráveis ao candidato do PL. A divulgação envolveu o Hypers Kids Africa, grupo de crianças e jovens de Uganda que apareceu em vídeos com referências ao voto em Bolsonaro. A iniciativa dizia que ajudaria a financiar uma casa para as crianças.
Após a revelação do caso, a campanha de Lula (PT) acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), enquanto a de Flávio negou vínculo com a iniciativa e anunciou medidas judiciais contra seus responsáveis. Na sexta (9), a ministra Estela Aranha determinou a retirada do site do ar e a suspensão das recompensas por publicações, apontando indícios de remuneração de propaganda eleitoral.
No domingo (11), em outra ação da campanha de Lula, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva abriu investigação sobre a atuação do B22 e de Pablo Marçal em apoio a Flávio, segundo o UOL. O processo também questiona conteúdos divulgados pelo influenciador contra o presidente. Cueva deu cinco dias para a campanha do PL e Marçal apresentarem defesa.
O endereço do B22 exibia nesta quinta um vídeo que sustenta que a repercussão ajudaria a dar visibilidade à construção da casa em Uganda, nega participação de políticos e compra de votos e afirma que a intenção não era prejudicar as eleições. “Usamos o momento do jeito errado e pedimos desculpas”, diz.
Eles atribuem o encerramento à decisão do TSE.
“O nosso erro, ou melhor, a nossa estratégia, foi vincular o projeto à política”, afirma a narração. A montagem risca a primeira expressão para destacar a segunda.
Ao final, o vídeo direciona o público ao HypersKids Token, moeda anterior ligada ao grupo africano. Um aviso no site informa que a equipe passará a se dedicar exclusivamente a esse ativo e à construção da casa.
O Hypers Kids Africa havia anunciado que devolveria os 120 milhões de B22 recebidos pela parceria e publicado um pedido de desculpas ao público brasileiro. O grupo disse que pretendia concluir a obra e não queria envolvimento com partidos.
O anúncio de encerramento sucede cobranças e brigas por prejuízos em um grupo de WhatsApp que reunia administradores e compradores do B22. Em mensagens obtidas pela Folha, Kevim Flores, um dos principais divulgadores da moeda, pressionou participantes a sustentar a cotação após as primeiras repercussões negativas do projeto. “Vocês são um bando de frouxo”, escreveu.
Flores disse que o ativo estava a “preço de banana se for especular uma possível vitória do Flávio” e propôs suspender o discurso político até 25 de outubro diante da reação das campanhas. “A nossa narrativa vai inverter”, afirmou em áudio. “Depois é maluquice, dependendo do que acontecer.” Também cogitou substituir o Hypers Kids Africa por um grupo brasileiro, diante da possibilidade de rompimento da parceria.
No dia seguinte, um comprador afirmou ter vendido seus tokens com prejuízo de 50%, equivalente a US$ 350, por entender que o projeto seria abandonado. Flores negou na ocasião que abandonaria o projeto e responsabilizou o comprador pela interpretação: “Se isso tava na sua cabeça a culpa não é minha”.
Com informações da Notícias ao Minuto







