Celular de Vorcaro vira disputa no STF às vésperas de sessão sobre Moraes

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A tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos neste fim de semana, com ministros rebatendo o colega André Mendonça e solicitando à Polícia Federal (PF) acesso à íntegra do conteúdo extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso aos documentos antes da sessão plenária da próxima terça-feira (15/9), quando a Corte analisará a validade de relatório da PF que revelou supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.

Os dados extraídos do celular de Vorcaro integram o material utilizado como base para a Petição nº 16.662, pautada para julgamento. O rito, no entanto, ainda é incerto.

Na tarde do último domingo (13/9), Zanin determinou que a PF entregasse, até as 23h, a íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro. Horas depois, Gilmar Mendes reiterou o pedido e solicitou à PF cópia da mídia extraída do aparelho do fundador do Master. O pedido foi feito em ofício encaminhado ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

As decisões de Zanin e Gilmar ocorreram após manifestação contrária de Mendonça, que se opôs à divulgação dos dados extraídos do celular do banqueiro antes do julgamento. Segundo o ministro, a disponibilização do material poderia “tumultuar” a sessão.

Mendonça afirmou que os documentos estão em seu gabinete como cópias intactas e pontuou que ainda não foram examinados por ele, enquanto os arquivos originais permanecem em posse da PF.

Além de determinar a entrega dos dados de Vorcaro pela PF, Zanin encaminhou o ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que ele tomasse ciência da decisão.

A determinação de Zanin teve como base manifestação da PF também deste domingo. A corporação afirmou ter plenas condições técnicas para produzir e encaminhar, de imediato, cópia idêntica da extração do celular de Vorcaro aos demais ministros que a solicitaram, observadas as determinações da Corte e as cautelas de sigilo aplicáveis.

Para Zanin, o compartilhamento da cópia com os ministros é necessário para o completo entendimento do caso que será analisado pelo plenário.

“Considerando que não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência”, disse o ministro.

PF se disponibiliza a enviar material “de imediato”

Na manhã desse domingo, em resposta a Fachin, que havia solicitado esclarecimentos sobre a custódia e o estado do material extraído do aparelho do fundador do Master, a PF ratificou que os dados originais extraídos do telefone permanecem sob custódia da corporação.

A PF informou ainda que dispõe de plenas condições técnicas para produzir e encaminhar, de imediato, cópia idêntica da extração aos demais gabinetes que a solicitaram, observadas as determinações da Corte e as cautelas de sigilo aplicáveis.

A corporação esclareceu também que os dados encaminhados ao gabinete de André Mendonça, em março deste ano, não correspondem ao material original, que jamais deixou a custódia da instituição. Trata-se de uma cópia enviada mediante solicitação do próprio gabinete, conforme documentação constante do processo administrativo correspondente.

Segundo o documento da PF encaminhado ao STF, o celular de Vorcaro é um Apple iPhone 17 Pro, apreendido em 18/11/2025 no âmbito da primeira fase da Operação Compliance Zero.

Ministro Cristiano Zanin autorizou investigação contra o magistrado em inquérito sobre venda de sentenças
Moraes pede nova quebra de sigilo

O ministro Alexandre de Moraes solicitou, na noite desse domingo, a quebra de sigilo de mais um inquérito ao presidente do STF, Edson Fachin, no âmbito do caso Master.

Segundo o magistrado, “elementos essenciais” para o julgamento não foram tornados públicos por Mendonça.
No pedido, ele solicita que os dados sejam disponibilizados a todos os ministros da Suprema Corte.
Em resposta, Fachin pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste “com a brevidade” sobre o requerimento de Moraes.

Crise no STF

Em 1º de setembro, André Mendonça, relator do Caso Master, retirou o sigilo de parte da investigação em que o nome de Alexandre de Moraes aparece. O relatório da PF revela suposta troca de mensagens entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão desencadeou crise interna no STF, colocando Moraes e Mendonça em lados opostos. Em reação, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado, acusou o colega de persegui-lo com intenções políticas e apresentou relatórios de inteligência da PF que apontariam suspeitas sobre a conduta do ministro.

Mendonça reagiu e afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pela confecção dos relatórios, apontados como irregulares. O ministro também acusou o chefe da corporação de promover monitoramento ilegal em meio ao Caso Master.

Andrei recorreu da decisão em outro inquérito que apura frente distinta do Caso Master: o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob relatoria de Flávio Dino. O diretor-geral da PF negou ter promovido o monitoramento ilegal de Mendonça e pediu para ser reconduzido ao cargo — pleito atendido por Dino.

Em meio ao fogo cruzado, o presidente do STF, Edson Fachin, atuou em diferentes frentes para conter a crise. Primeiro, negou o pedido de Moraes para investigar Mendonça e retirou do ministro a relatoria do Inquérito das Fake News, que passou a ser conduzido pelo presidente da Suprema Corte. Fachin também suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino e manteve, na prática, Andrei Rodrigues no comando da PF enquanto analisa o impasse.

Depois, determinou que Mendonça retirasse o sigilo do processo referente ao Master e puxou para si a relatoria do caso envolvendo as mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Fachin também determinou que as petições que tratam dos casos sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o escândalo financeiro do Banco Master, “com todos os processos a elas relacionados”, fossem remetidas à presidência do Supremo. As duas investigações estavam sob relatoria de André Mendonça.

Com a decisão do presidente da Corte, os dois casos ficam paralisados até nova determinação. Fachin ainda terá de decidir quem ficará responsável pelas relatorias. A tendência é que o chefe da Corte retire os dois casos de Mendonça e assuma os processos.

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