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Calor extremo aumenta risco de parto prematuro e complicações na gravidez, alerta ONU

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Calor extremo aumenta risco de parto prematuro e complicações na gravidez, alerta ONU

Chefe de clima da ONU pede inclusão de saúde materna em planos ambientais/ Foto: Reprodução

O aumento das temperaturas globais representa uma ameaça crescente para a saúde de gestantes e recém-nascidos. O alerta foi emitido pelo chefe do órgão de ação climática da Organização das Nações Unidas (ONU), Simon Stiell, que defendeu a inclusão obrigatória da saúde materna e neonatal nas estratégias nacionais de combate às mudanças climáticas.

O pronunciamento ocorreu durante encontro promovido pela Fundação Wellcome em Fiji, em preparação para a COP31 — a conferência do clima das Nações Unidas agendada para o mês de novembro em Antalya, na Turquia.

“Temperaturas em alta significam perigo em alta na gravidez”, declarou Stiell, ao defender que os sistemas de saúde pública e os planos estatais de infraestrutura acompanhem o ritmo de aquecimento do planeta para mitigar danos à saúde reprodutiva.

Na reunião, a Fundação Wellcome divulgou levantamento realizado com profissionais de saúde materna de cinco países. Os dados revelam que 73% dos entrevistados observaram aumento nas complicações gestacionais associadas ao calor nos últimos cinco anos.

Além disso, 81% dos profissionais demonstraram preocupação com a elevação dos riscos para gestantes e bebês caso medidas preventivas não sejam implementadas com urgência. A quase totalidade dos participantes relatou já ter atendido gestantes ou recém-nascidos impactados pelas ondas de calor.

Entre os principais agravantes médicos apontados no estudo estão:

  • Parto prematuro: nascimento ocorrido antes da 37ª semana de gestação;

  • Natimortalidade: morte fetal antes ou durante o parto;

  • Baixo peso ao nascer: recém-nascidos com massa corporal abaixo do parâmetro ideal;

  • Complicações maternas: quadros de desidratação, pré-eclâmpsia e hipertensão induzida pelo calor.

O dirigente da ONU ressaltou que os impactos do calor afetam de forma desproporcional populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Gestantes que trabalham ao ar livre, residem em habitações sem isolamento térmico adequado ou dependem de postos de saúde sem refrigeração e água potável enfrentam maior exposição aos riscos.

Para conter os impactos do clima sobre a maternidade, a ONU estabeleceu três metas prioritárias para as nações signatárias:

  1. Integrar formalmente a saúde materna e do recém-nascido aos planos nacionais de adaptação climática;

  2. Readequar unidades de saúde, criar sistemas de alerta de ondas de calor e capacitar agentes comunitários;

  3. Aprimorar a coleta de dados epidemiológicos para direcionar investimentos às áreas mais afetadas.

A inclusão do tema na pauta da COP31 busca assegurar financiamento internacional para projetos de infraestrutura voltados à proteção de gestantes em países em desenvolvimento.

Com informações da ContilNet

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