O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou neste sábado (21) que a Casa vai acelerar a tramitação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A decisão de colocar o tema como prioridade é uma resposta direta ao novo cenário de incertezas no comércio internacional, gerado pelo anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar a tarifa global para 15% sobre produtos importados.
A Motivação: Incertezas com os EUA
Em publicação na rede social X, Motta justificou a mudança de prioridade no Legislativo. “Resta ao Brasil lutar pela previsibilidade nas relações comerciais internacionais. Por isso, priorizaremos a votação do acordo Mercosul-UE para a próxima semana”, escreveu o deputado, citando explicitamente “as incertezas acerca da imposição de tarifas pelos Estados Unidos”.
A fala de Motta ocorre um dia após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço anterior de Trump, e poucas horas depois de o presidente americano reagir anunciando uma nova tarifa global de 15%, que entra em vigor na terça-feira (24). Para o presidente da Câmara, diante de um cenário de política comercial agressiva e imprevisível por parte da maior economia do mundo, o Brasil precisa buscar alternativas seguras e consolidar parcerias de longo prazo, como o acordo com os europeus. A prioridade reflete essa estratégia de diversificação de parcerias.
O Relator e os Próximos Passos
Para dar celeridade ao processo, Hugo Motta designou o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP) como relator do acordo na Câmara. A escolha não é aleatória: Pereira foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo de Michel Temer e, segundo Motta, atuou diretamente na construção do entendimento entre os dois blocos econômicos, o que lhe confere conhecimento profundo do tema.
O tratado entre Mercosul e União Europeia foi assinado em janeiro deste ano, mas ainda precisa ser ratificado internamente por cada país-membro do bloco sul-americano e pelo Parlamento Europeu. Enquanto no Mercosul a expectativa é de uma tramitação mais rápida, na Europa o acordo enfrenta resistências, especialmente da França, que impõe barreiras à sua aprovação.
Estratégia do Governo Lula
O governo do presidente Lula tem trabalhado para acelerar a aprovação interna do acordo no Congresso Nacional. A estratégia da diplomacia brasileira é usar a ratificação pelo Brasil como um instrumento de pressão política sobre os europeus, demonstrando o compromisso do país com o tratado e tentando isolar os setores contrários na Europa.
Ao definir a prioridade de votar acordo Mercosul-UE, Hugo Motta alinha o Legislativo à estratégia do Executivo e envia um sinal claro ao mercado e aos parceiros internacionais: o Brasil busca previsibilidade e integração, especialmente em um momento em que o protecionismo e a volatilidade marcam a política comercial dos Estados Unidos. A votação na Câmara na próxima semana será um passo decisivo para que o acordo finalmente saia do papel e se torne uma realidade, abrindo novas oportunidades para o agronegócio, a indústria e os serviços brasileiros.
Fonte: UOL Notícias
Redigido por Acre Atual







