Apoio a Trump entre latinos cai às vésperas da eleição para Congresso dos EUA

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Apoio a Trump entre latinos cai às vésperas da eleição para Congresso dos EUA

(FOLHAPRESS) – Há um conceito muito importante nas eleições dos Estados Unidos, como a da próxima terça-feira (3), que renovará o Congresso: os estados-pêndulo. São aqueles que ora votam mais nos democratas, ora nos republicanos. Desta vez, essa mesma designação tem sido usada para outro segmento: o eleitorado americano.

 

O eleitor de origem latina no país se tornou o chamado “eleitor-pêndulo”. Historicamente, os latinos apoiaram mais os democratas, mas, nas últimas eleições, ampliaram seu apoio aos republicanos, o que ajudou, inclusive, na eleição de Donald Trump. Agora, voltaram a se aproximar dos democratas, reduzindo o apoio republicano.

Cálculos do jornal The New York Times, com base em pesquisas realizadas no último mês, mostram que os democratas lideram entre os prováveis eleitores latinos por 35 pontos percentuais, com 64% das intenções de voto, ante 29% para os republicanos. Em 2024, Trump conseguiu 48% dos votos latinos. Em 2020, foram 36%.

Nas chamadas midterms, as eleições de meio de mandato, serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço das cadeiras do Senado, que tem 100 membros.

Atualmente, os republicanos contam com uma estreita maioria nas duas Casas, o que facilita o governo de Trump. Na Câmara, possuem 218 cadeiras, ante 214 dos democratas. No Senado, são 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes.

Quem são os eleitores latinos nos Estados Unidos?
O Pew Research Center, um dos principais institutos de pesquisa demográfica do país, estima que haja 39 milhões de latinos aptos a votar nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório. Eles representam 16% do eleitorado total.

Cerca de 25% deles são imigrantes que nasceram em países latino-americanos e posteriormente obtiveram a cidadania americana. Os outros 75% são descendentes de latinos nascidos nos Estados Unidos, explica Mark Hugo Lopez, diretor de pesquisas sobre raça e etnia do Pew.

Trata-se também de um eleitorado jovem. Aproximadamente 30% têm entre 18 e 29 anos, enquanto essa faixa etária representa 25% do eleitorado em geral. Mais da metade dos eleitores latinos tem origem mexicana.

Os brasileiros não estão incluídos nesse grupo. Embora o Brasil faça parte da América Latina, o Censo americano historicamente utiliza uma classificação de origem hispânica, que inclui pessoas de países de língua espanhola, mas não os brasileiros.

Assim, até espanhóis podem ser classificados como hispânicos ou latinos, termos frequentemente usados de maneira semelhante nos Estados Unidos.

Apoio de latinos a Donald Trump diminui
A popularidade do presidente tem caído entre diferentes segmentos do eleitorado latino, segundo pesquisa recente do Pew Research Center.

Trump é aprovado por 24% dos latinos, enquanto sua aprovação entre a população americana em geral gira em torno de 32%.

Entre os latinos que votaram nele em 2024, a aprovação é de 57%, mais de 30 pontos percentuais abaixo do índice registrado no início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025.

O mesmo levantamento, realizado com 5.000 americanos entre 28 de setembro e 4 de outubro, mostrou que a economia é o fator mais importante para os latinos na hora de votar, mencionada por 86% dos entrevistados.

Em seguida, aparecem a saúde (80%), a educação (75%), o futuro da democracia (69%) e a imigração (64%).

O custo de vida também está entre as principais preocupações dos americanos.

Republicanos questionam pesquisas sobre eleitorado latino
Jaime Flórez, diretor de comunicação hispânica do Comitê Nacional Republicano, afirmou à reportagem que o partido desconfia dos levantamentos eleitorais e considera que existe uma campanha da imprensa contra Trump.

Segundo ele, os republicanos reconhecem a possibilidade de uma redução no apoio latino, mas acreditam que a queda será muito menor do que a indicada pelas pesquisas.

Flórez, que nasceu na Colômbia, também afirmou que a política de Trump contra a imigração não prejudica necessariamente sua relação com a comunidade latina.

Na avaliação dele, os latinos que votam já possuem situação migratória regularizada e concordariam com as deportações promovidas pelo governo.

De fato, imigrantes em situação irregular não podem votar nas eleições americanas. O mesmo vale para residentes permanentes que possuem o green card, documento que autoriza a permanência nos Estados Unidos, mas não concede cidadania.

Apenas cidadãos americanos podem participar das eleições federais.

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), que teve sua atuação ampliada durante o governo Trump, tem intensificado as prisões de imigrantes acusados de votar em eleições anteriores sem possuir esse direito, o que constitui crime no país.

Imigração também influencia o voto dos latinos
O pesquisador Mark Hugo Lopez, por sua vez, afirma que cerca de dois terços dos eleitores latinos consideram a imigração uma preocupação importante na hora de decidir o voto.

“Portanto, a imigração é, sim, um fator na conta”, declarou.

Segundo ele, o tema pode ter um peso ainda maior entre americanos de origem latina cujos pais nasceram em outros países.

“Isso tende a ser importante para latinos que são filhos de pais imigrantes, já que muitos que nasceram nos Estados Unidos podem ser filhos de pais em situação irregular”, explicou.

Nesta eleição, aproximadamente 4 milhões de latinos estarão aptos a votar pela primeira vez, após completarem 18 anos.

A participação efetiva desse grupo nas urnas, entretanto, ainda é uma incógnita.

Deputada republicana critica política migratória de Trump
A deputada María Elvira Salazar, da Flórida, é uma das vozes republicanas que manifestaram preocupação com os efeitos da política migratória sobre o eleitorado latino.

Filha de cubanos e nascida em Miami, Salazar publicou, em setembro, um vídeo no qual afirmou que Trump havia ido longe demais em sua política de imigração.

“Os mesmos hispânicos que ajudaram você a chegar à Casa Branca em 2024 se sentem traídos hoje”, declarou a deputada, em uma mensagem dirigida ao presidente.

“Não estou falando sobre dar anistia a eles [imigrantes]. Estou falando sobre dar a eles uma vida digna nesta terra prometida”, acrescentou.

Questionado sobre as declarações, Jaime Flórez afirmou que María Elvira Salazar está tentando a reeleição e fez o que considerou necessário para se comunicar com sua base eleitoral.

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Notícias ao Minuto | 04:01 – 02/11/2026

Com informações da Notícias ao Minuto

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