Acreano cria ‘berçário’ para tracajás e devolve centenas de filhotes ao rio há quase 20 anos

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Acreano preserva tracajás e devolve centenas de filhotes ao rio há quase 20 anos

Um trabalho voluntário desenvolvido há quase 20 anos por um trabalhador rural tem contribuído para a preservação dos tracajás em uma comunidade rural de Santa Rosa do Purus, no interior do Acre. Francisco Tiago Silva de Souza, morador da comunidade Cruzeiro, na colônia São Francisco, criou por conta própria uma estratégia para proteger os ovos da espécie e garantir que os animais consigam chegar à fase de nascimento.

A iniciativa começou em 2007, quando Francisco e os irmãos perceberam que, durante o período de reprodução, pessoas costumavam procurar as praias de areia às margens dos rios para retirar os ovos dos tracajás e utilizá-los para consumo. A retirada constante dos ovos acabou comprometendo a reprodução dos animais na região.

Diante da situação, o agricultor passou a recolher os ovos encontrados nas praias e transferi-los para uma área preparada especialmente para a reprodução. No local, ele acompanha todo o processo até a eclosão dos ovos e, depois, conduz os filhotes de volta ao ambiente natural, onde são soltos no rio.

Segundo Francisco Tiago, somente no ano passado foram devolvidos cerca de 350 tracajás à natureza. Em 2026, aproximadamente 200 animais já foram soltos. Para ele, o esforço tem como principal objetivo impedir que a espécie desapareça da região do rio Purus.

“É um trabalho que faço de forma voluntária há muitos anos. No ano passado ainda consegui soltar 350 no rio e, neste ano, foram em torno de 200. Minha intenção é contribuir para que esses animais não sejam extintos do nosso território”, afirmou.

Apesar dos resultados alcançados, o agricultor afirma que nunca recebeu apoio das autoridades para manter a iniciativa. Ele destaca que todo o trabalho é realizado de maneira voluntária e pede que gestores e órgãos responsáveis pela preservação ambiental conheçam e apoiem a ação desenvolvida na comunidade.

“Esse projeto é voluntário e faço há anos. Já pedi ajuda das autoridades e dos gestores, mas infelizmente nunca tive apoio. Mesmo assim, continuo fazendo a minha parte, porque acredito que esse trabalho é muito importante para a preservação do rio Purus e dos animais que dependem dele”, completou.

Conteúdo Original / Fonte: Ricardo Amaral, ContilNet

Com informações da ContilNet

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