Enquanto a iniciativa privada e o comércio tradicional do extremo Norte enfrentam um período de forte sufoco financeiro, a cúpula de um dos poderes mais bem pagos do estado garantiu a expansão de seus benefícios. Conforme pacotes legislativos e administrativos consolidados nesta quinta-feira (11 de junho de 2026), o Poder Judiciário do Acre aprovou a criação de novos cargos estruturais, um reajuste salarial linear de 4,26% e a ampliação dos direitos de licença para servidores e magistrados. As medidas aumentam o impacto do Tribunal de Justiça (TJAC) sobre o erário.
Impacto Financeiro: Reajuste, Novas Cadeiras e Folha de Pagamentos
De acordo com o texto aprovado pelas instâncias competentes e encaminhado para sanção, o reajuste de 4,26% incidirá diretamente sobre os vencimentos básicos, subsídios e gratificações de toda a estrutura funcional da corte acreana. Além da reposição inflacionária, a reforma administrativa cria novas funções de confiança e cargos de assessoria de provimento em comissão, sob a justificativa de otimizar a velocidade de tramitação dos processos nas comarcas do interior e na capital. O pacote também flexibilizou e estendeu os prazos e conversões em pecúnia de licenças-prêmio e afastamentos legais, blindando o poder aquisitivo da categoria.
| Pilares do Pacote de Benefícios | Índice / Mudança Aprovada (2026) | Consequência Orçamentária Direta |
|---|---|---|
| Aumento Salarial Linear | Reajuste de 4,26% | Elevação imediata do teto e da folha do TJAC. |
| Estrutura de Gabinetes | Criação de novos cargos e funções | Inchaço no custeio administrativo de comissão. |
| Direitos de Afastamento | Ampliação das licenças | Maior margem para indenizações e indenizatórios. |
A expansão de gastos no Judiciário ocorre no exato momento em que o setor produtivo local amarga prejuízos graves, vide o levantamento que apontou a queda nas vendas do varejo em maio no Acre e o dado da Serasa Experian revelando que o estado tem quase 14 mil empresas negativadas com o nome no vermelho. Toda essa gastança pública contrasta com o sofrimento do cidadão de Rio Branco, que enfrenta as maiores cargas horárias de trabalho do país de sol a sol para dar conta do etanol a R$ 5,35 o litro e de um fisco abusivo onde os acreanos entregam mais de R$ 18 milhões em impostos por dia.
Manter privilégios em gabinetes climatizados choca com a realidade de um estado que exibe um dos piores IDH do país, segura a lanterna nacional em saneamento básico do Confea e desperdiça mais da metade de toda a água tratada na rede, deixando de abastecer 154 mil pessoas, limitando a qualidade de vida da capital a mornos 63,44 pontos. O contraste fica ainda mais vergonhoso quando comparado ao cenário internacional, onde os deputados da Hungria deram o exemplo de austeridade e cortaram 40% do próprio salário por responsabilidade fiscal.
Link de Fonte: ac24horas






