Após acordo eleitoral, Tarcísio deve dar secretaria a Ricardo Salles

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Após acordo eleitoral, Tarcísio deve dar secretaria a Ricardo Salles

SÃO PAULO, SP (FOLHAPERRESS) – O deputado federal Ricardo Salles (Novo) deve assumir a Secretaria da Justiça da equipe de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo no ano que vem.

 

A negociação para que o ex-ministro entre no governo paulista teve início logo após o primeiro turno das eleições, que terminaram com a vitória de Tarcísio, e avançou nesta quarta-feira (4), em uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, segundo interlocutores de Salles.

O deputado se candidatou ao Senado neste ano e disputou os votos do eleitorado de direita contra André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), nomes apoiados por Tarcísio. Uma semana antes da eleição, contudo, Salles retirou a candidatura, após pedido do governador, e declarou apoio à dupla, que terminou eleita.

Salles foi ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro (PL) e é réu em processo que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) por supostamente ter facilitado o comércio ilegal de madeira. Ele nega irregularidades.

No governo paulista, ele também foi encarregado da pasta do Meio Ambiente, durante o governo Geraldo Alckmin, na época no PSDB e hoje do PSB.

Não há data prevista ainda para o anúncio da nomeação. Um integrante da equipe do governador, contudo, avalia que tende a ser já na semana que vem.

A chegada de Salles ao governo, caso confirmada, trará ruído entre outros aliados de Tarcísio. O deputado federal não tem boa relação com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), um dos principais aliados do governador. Salles já chamou Nunes de “ícone do centrão”.

Além disso, aliados do prefeito consideram que Salles tem pretensões de disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028, o que o colocaria em rota de colisão com Nunes, que pretende emplacar um sucessor de seu grupo.

Interlocutores do prefeito disseram à Folha que Nunes não acredita que Tarcísio siga com a nomeação e lembraram que o deputado também fez críticas públicas a Tarcísio, em especial durante as discussões da reforma tributária, projeto do governo Lula (PT) votado com apoio do governador.

A Secretaria da Justiça é a pasta encarregada da articulação do governo com entidades do direito e coordena as ações da Fundação Casa e do Procon. Não tem relação com a representação do governo em ações judiciais, atribuição da Procuradoria-Geral do Estado.

O posto é ocupado atualmente por Arthur Lima, advogado que serviu no Exército com Tarcísio e é seu amigo de infância. Antes da Justiça, Lima comandou a Casa Civil de Tarcísio, mas teve a atuação criticada, nos bastidores, por deputados da base do governador.

Conforme a Folha publicou, Lima, já como secretário, montou uma offshore no paraíso fiscal das Bahamas que passou a controlar uma rede de empresas em Brasília e Goiás com registro de lucros milionários. Seu futuro no governo não foi decidido.

A reportagem procurou Salles e o Palácio dos Bandeirantes para comentar a nomeação, mas não obteve resposta.

ENCONTRO COM CIRO NOGUEIRA

Em reunião nesta quinta-feira (5), Tarcísio fez afagos ao presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e sinalizou querer estar próximo aos partidos, segundo relato do presidente estadual da legenda, o deputado federal Mauricio Neves, que esteve presente no encontro.

“Ele disse que Ciro vai ser fundamental na construção de projetos futuros, pelo conhecimento que ele tem de Congresso, pela potência que ele tem”, afirmou Neves à Folha de S.Paulo.

Na semana passada, Tarcísio admitiu pela primeira vez, publicamente, que pode disputar a Presidência em 2030. O governador afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que sua candidatura dependeria de uma construção coletiva.

Sua declaração foi alvo de críticas de bolsonaristas, especialmente do grupo alinhado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que avaliam que Tarcísio quer tomar o lugar de Jair Bolsonaro (PL) como principal liderança do campo. Aliados do governador saíram em sua defesa em conjunto nas redes sociais.

Nesta quinta, fora da agenda, Tarcísio também recebeu o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Na quarta (4), encontrou-se com Renata Abreu, presidente do Podemos.

Próximo a Daniel Vorcaro, Ciro é investigado no caso Master e não conseguiu se reeleger senador pelo Piauí. Em maio, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em seus endereços em uma nova fase da operação Compliance Zero, que apurava suspeitas relacionadas ao banco.

Ciro chegou a ser cotado para a vice de Flávio Bolsonaro (PL), que tentou se descolar do aliado após a deflagração da operação. À época, Tarcísio disse que as suspeitas deveriam ser investigadas “doa a quem doer”.

Segundo Neves, Ciro Nogueira se mudará para São Paulo no fim de fevereiro, de onde cuidará da federação União Progressista.

Na reunião desta quinta, Ciro e Neves levaram nomes que avaliam que têm capacidade técnica para compor o segundo mandato do governador, em meio às articulações para mudanças nas secretarias.

Entre eles, o médico David Uip, para a pasta da Saúde, o advogado Fernando José da Costa, que foi secretário de Justiça na gestão João Doria, e Rafael Rodas, vice-presidente estadual do PP.

Com informações da Notícias ao Minuto

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