ICMBio investiga incêndio próximo a base de campo em área de conflitos na Resex Chico Mendes, em Xapuri

Compartilhar
ICMBio investiga incêndio de 10 hectares próximo à base de campo na Resex Chico Mendes, em Xapuri – Foto cedida

Um incêndio de vegetação registrado no dia 1º de novembro passado nas proximidades da Base de Campo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), instalada na no Ramal Pinheiro Barreto, região da Maloca, em Xapuri, está sendo investigado pelo órgão ambiental. A ocorrência mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e servidores do próprio órgão, que conseguiram controlar as chamas antes que atingissem as instalações da base.

A possibilidade de que o fogo tenha sido provocado intencionalmente está entre as suspeitas levantadas sobre o episódio. Procurada pelo Portal Acre, a coordenadora territorial de Rio Branco, Flávia Souza, confirmou a ocorrência e informou que o caso já está sendo apurado, com solicitação de apoio da Polícia Federal.

“A queimada realizada próximo à Base de Campo foi contida com contingente dos bombeiros e brigadistas e está sob investigação. Instruímos um processo que solicita apoio da Polícia Federal em relação a essa investigação”, afirmou.

Embora a coordenação do ICMBio não tenha confirmado que o incêndio tenha sido criminoso, a decisão de formalizar um pedido de apoio à Polícia Federal demonstra a preocupação do órgão com as circunstâncias do ocorrido.

De acordo com informações prestadas pelo 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Xapuri, o evento foi considerado como “incêndio de grande vulto”, com múltiplos focos, que resultou em uma área de cerca de 10 hectares queimada, mas sem o registro de vítimas humanas ou casas atingidas.

Região marcada por conflitos

A ocorrência chama a atenção pelo histórico de conflitos envolvendo a atuação do ICMBio e ocupantes da região da Maloca, localizada na Reserva Extrativista Chico Mendes, entre Xapuri e Epitaciolândia.

Um dos episódios mais recentes de tensão aconteceu em junho de 2025, quando o instituto deflagrou a Operação Suçuarana, no dia 5 daquele mês, com o objetivo de combater a pecuária irregular e o desmatamento dentro da unidade de conservação. A ação contou com a participação de diferentes forças de segurança e resultou na retirada de animais criados irregularmente em áreas embargadas, além de outras medidas de fiscalização.

A operação provocou forte reação de moradores e ocupantes da região, que organizaram manifestações e chegaram a bloquear trechos da BR-317 em protesto contra as medidas adotadas pelo órgão ambiental. O período também foi marcado por episódios de tensão, denúncias e prisões no contexto das ações de fiscalização.

Desde então, a presença permanente de agentes do ICMBio na região, por meio de sua estrutura de campo, permanece inserida em um cenário de disputas que envolve questões fundiárias, ambientais e diferentes interpretações sobre a ocupação da reserva.

Disputa sobre os limites da reserva

A região também está inserida no debate político e legislativo sobre possíveis alterações nos limites da Reserva Extrativista Chico Mendes. Um dos principais instrumentos dessa discussão é o Projeto de Lei 6024/2019, apresentado pela então deputada federal Mara Rocha, que propõe a retirada de áreas específicas da unidade de conservação, incluindo trechos de municípios do Alto Acre, além de modificar a categoria do Parque Nacional da Serra do Divisor.

A proposta, que continua em tramitação na Câmara dos Deputados, representa mais um capítulo da discussão sobre a ocupação e a destinação de áreas protegidas no estado. A Maloca está no centro desse debate histórico, marcado por divergências entre a política de conservação ambiental e os interesses de ocupantes e produtores rurais.

Nesse contexto, o incêndio próximo à Base de Campo do ICMBio acrescenta um novo elemento de preocupação em uma região onde a atuação dos agentes ambientais já foi motivo de confrontos e manifestações.

Até o momento, entretanto, não há confirmação de que o fogo tenha sido provocado intencionalmente, tampouco de que exista relação entre a ocorrência e os conflitos anteriores. A investigação, com o eventual apoio da Polícia Federal, deverá esclarecer as circunstâncias do incêndio.

Veja o vídeo.

Com informações da Portal do Acre

Rolar para cima