Acre Atual

TJAC explica por que dois pedidos de prisão contra investigado foram negados antes do assassinato de médica

Compartilhar
TJAC explica negativas de prisão antes do assassinato da médica em Brasiléia – Foto cedida

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) divulgou, nesta quarta-feira (4), esclarecimentos sobre as decisões judiciais envolvendo o investigado pela morte da médica Elyne de Assis Nogueira, assassinada a tiros na noite de 2 de novembro, em Brasiléia. Na nota, o órgão detalha a tramitação do processo, explica por que dois pedidos de prisão preventiva foram negados antes do crime e informa que as medidas protetivas concedidas à vítima estavam vigentes na data do assassinato.

De acordo com o Tribunal, o primeiro pedido de medidas protetivas foi protocolado em 23 de agosto de 2026, às 10h20, e deferido pelo Plantão Judiciário apenas 35 minutos depois, às 10h55. Entre as determinações estavam o afastamento mínimo de 100 metros da vítima, a proibição de aproximação e contato, a suspensão do porte e da posse de armas, o monitoramento eletrônico do investigado e a disponibilização do botão do pânico à médica. Os equipamentos foram instalados no mesmo dia.

Nos dias 24 e 25 de agosto, o Juízo de Brasiléia também encaminhou ofícios à Polícia Civil para verificar a existência de armas registradas em nome do investigado e acionou a Patrulha Maria da Penha e o Centro de Referência de Atendimento à Mulher para acompanhamento da vítima.

Pedidos de prisão preventiva

O primeiro pedido de prisão preventiva foi apresentado pelo Ministério Público em 25 de agosto. No dia seguinte, a Justiça negou a solicitação. Segundo o TJAC, a decisão considerou que o relatório técnico do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), disponível naquele momento, não apontava descumprimento das medidas protetivas pelo investigado.

Em 29 de setembro, o Iapen encaminhou novo relatório, desta vez com registros de alertas de aproximação do monitorado em relação ao raio de 100 metros do local onde a vítima se encontrava. O Juízo deu vista ao Ministério Público no dia seguinte, e o órgão voltou a requerer a prisão preventiva em 15 de outubro.

O segundo pedido também foi negado. Conforme a explicação do Tribunal, naquela data o investigado estava fora do Acre, em viagem autorizada judicialmente a Minas Gerais para tratamento médico. A distância geográfica foi considerada incompatível, naquele momento, com a existência de risco de aproximação da vítima.

O TJAC ressaltou que os pedidos da defesa para revogar as medidas protetivas foram todos indeferidos e que as determinações judiciais permaneceram em vigor.

Alertas na noite do crime

A nota também apresenta informações sobre o monitoramento na noite do assassinato. Segundo documento do Iapen encaminhado à Justiça em 3 de novembro, foram registrados dois alertas de aproximação na noite anterior. A equipe de monitoramento entrou em contato com o investigado e o informou sobre a violação da área de exclusão. Ele teria se afastado do local. A equipe também manteve contato com a vítima.

Ainda conforme o relatório, a Polícia Penal acompanhou o trajeto do monitorado pelo sistema eletrônico. Ele chegou à residência às 23h11 e permaneceu no imóvel. Às 0h12, a equipe de monitoramento foi comunicada pela Polícia Militar sobre os disparos que mataram a médica.

Na terça-feira (3), a Vara Criminal de Brasiléia decretou a prisão preventiva do investigado e autorizou mandados de busca e apreensão domiciliar, além do afastamento do sigilo de dados de dispositivos eletrônicos e dos registros de monitoramento.

Ao final da manifestação, o Tribunal reiterou o compromisso com a aplicação da Lei Maria da Penha e o fortalecimento da rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar. 

Com informações da Portal do Acre

Rolar para cima