“É uma fome de poder”

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Foto: Jardy Lopes

O vereador José Aiache (PP) criticou, nesta terça-feira (27), o encerramento de mais uma sessão da Câmara Municipal de Rio Branco por falta de quórum. O parlamentar afirmou que os vereadores estavam reunidos para discutir vetos que impedem o andamento de matérias legislativas, mas não tiveram a oportunidade de dar continuidade aos trabalhos em plenário.

Durante entrevista, Aiache disse que a população não pode ser prejudicada pelas discussões em torno da composição da Mesa Diretora da Casa.“Pessoal, existe algo além da Mesa Diretora. Existe a nossa população, existem ruas, escolas, creches e o abastecimento de água. Há muita coisa além dessa mesa. Temos que dar uma satisfação à população. Viemos trabalhar”, declarou.

Segundo o vereador, a reunião realizada antes do encerramento da sessão tinha como objetivo discutir vetos, inclusive dois relacionados ao Plano Diretor, para encaminhá-los à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Subimos para conversar sobre os vetos e encaminhar as matérias à CCJ. Inclusive, havia dois vetos relacionados ao Plano Diretor. Precisamos colocar essas questões em votação, mas o presidente sequer deu andamento à sessão. Isso é um absurdo, não contra mim, mas contra a população do nosso município”, afirmou.

Vereador ironiza disputa pela Mesa Diretora

Aiache também ironizou a atenção dada às articulações em torno da Mesa Diretora e afirmou que existem outras pautas importantes aguardando deliberação dos parlamentares.

“Acho que agora tudo gira em torno da mesa: mesa, mesa, mesa. Vou comprar uma mesa de plástico e dar para ele. Está aqui, pega uma mesa para você. Porque isso é um absurdo. Aqui não é só mesa. Temos muitas pautas para discutir e projetos de lei para apresentar”, disse.

O vereador acrescentou que tinha dois projetos de lei previstos para apresentar nesta terça-feira, mas não conseguiu fazê-lo. Ele também questionou a justificativa de que a sessão não poderia avançar por causa do horário.“Eu chego aqui todos os dias às 8h ou, no máximo, às 8h15. Muitas vezes, as sessões passam das 9h. Hoje, o presidente não teve a consideração com a população de permitir que a gente trabalhasse”, declarou.

Emendas parlamentares também preocupam

Outro assunto abordado pelo vereador foi a demora na liberação das emendas parlamentares destinadas a instituições. De acordo com Aiache, os recursos são importantes para a manutenção das atividades dessas entidades.“As instituições contam com esse recurso e precisam dele. Isso tem que ser liberado, sim. Vamos conversar com os responsáveis, com o prefeito, com o pessoal do Planejamento e do Orçamento para entender o que está acontecendo”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de a demora na liberação das emendas aumentar a tensão entre os vereadores, o parlamentar reconheceu que a situação é preocupante e defendeu que os esclarecimentos sejam buscados junto à administração municipal.

PP deve indicar nome para a Mesa, avalia vereador

Ao comentar as articulações políticas, Aiache avaliou que o Progressistas (PP), partido do prefeito, deve ter protagonismo na escolha dos integrantes da Mesa Diretora, considerando a força da legenda na Câmara Municipal.“Por minha parte, não. Mas acho que deve sair de dentro do Progressistas, até porque o prefeito é progressista e a maior bancada da Câmara é do PP. Acho que sim, tem que sair de lá”, declarou.

Apesar disso, o vereador demonstrou incômodo com o que considera uma antecipação excessiva da disputa pelo comando da Casa Legislativa.“Eu acho que é uma antecipação. É ‘eu quero mesa, eu quero mesa, eu quero mesa’. É uma fome de poder”, concluiu.

Com informações do ac24horas

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