O atacante Richarlison, ex-jogador da seleção brasileira e atualmente no Tottenham, está no centro de uma disputa por uma propriedade de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O atleta afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição de direitos sobre o imóvel e acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz de participação em irregularidades que teriam provocado a perda da propriedade.
O caso ganhou um novo capítulo na quarta-feira (21), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter solicitado à Polícia Federal (PF) uma investigação sobre as circunstâncias em que os direitos de ocupação da área foram transferidos para uma empresa ligada ao advogado, amigo de Flávio Bolsonaro.
No mesmo dia, Richarlison divulgou documentos que, segundo ele, comprovam a legalidade da negociação e voltou a exigir a devolução do imóvel.
O que aconteceu entre Richarlison e Flávio Bolsonaro?
A disputa começou entre 2020 e 2021, quando Richarlison e seus sócios negociaram a aquisição dos direitos sobre uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
O jogador afirma que investiu aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade, em uma sociedade com Renato Velasco, seu ex-empresário, e Alencar da Silveira Júnior, que presidia o América-MG na época.
Segundo Richarlison, Flávio Bolsonaro chegou a visitar o imóvel e demonstrou interesse em comprá-lo, mas a proposta foi recusada.
“Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, declarou o atacante em vídeo divulgado no sábado (17).
O jogador também questionou a rapidez com que a situação administrativa da propriedade teria sido regularizada em favor do grupo ligado a Willer Tomaz.
“A gente estava resolvendo a papelada, e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha”, afirmou.
Richarlison sustenta que perdeu o imóvel sem receber de volta o dinheiro investido. Flávio Bolsonaro nega qualquer participação irregular na disputa, enquanto Willer Tomaz afirma que adquiriu legalmente os direitos de ocupação.
O que Lula disse sobre a ilha de Richarlison?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se manifestou sobre a disputa envolvendo Richarlison, Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Em vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira (21), Lula afirmou ter solicitado à Polícia Federal uma investigação sobre as circunstâncias em que os direitos de ocupação da propriedade foram transferidos.
“Em apenas uma semana, esse Willer Tomaz, possivelmente com a ajuda do Flávio, conseguiu tomar a ilha do Richarlison”, declarou o presidente.
Lula também questionou a negociação e mencionou o valor que o jogador afirma ter investido no imóvel.
“Tô pedindo pra Polícia Federal investigar pra saber aonde é que foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê uma ilha que ele tinha pagado R$ 10 milhões por ela. Nós estamos investigando”, afirmou.
O presidente ainda dirigiu uma mensagem ao atacante, conhecido nas redes sociais como “Pai do Bebê”.
“Pode ficar certo, meu querido, que nós vamos dizer a verdade pra você. Tenha paciência que as coisas vão ser esclarecidas”, acrescentou.
Flávio Bolsonaro nega envolvimento irregular na disputa, enquanto Willer Tomaz afirma ter adquirido legalmente os direitos de ocupação do imóvel. A declaração de Lula sobre o pedido de investigação não confirma, por si só, a instauração formal de um inquérito pela Polícia Federal.
Richarlison apresentou provas da compra da ilha?
Sim. Na quarta-feira (21), Richarlison divulgou trechos de contratos e documentos judiciais que, segundo ele, comprovam a aquisição dos direitos sobre o imóvel.
A publicação ocorreu depois que Willer Tomaz desafiou o jogador a apresentar documentos anteriores a julho de 2022 que demonstrassem sua ligação com a propriedade.
“Tá aí a prova, Willer Tomaz. Você falou que se eu tivesse a prova que eu comprei a ilha, você ia devolver a ilha”, afirmou Richarlison.
O atacante também negou que tenha decidido retomar o assunto por causa da campanha presidencial.
“Eu quero a ilha de volta, com a casa reconstruída do mesmo jeito que estava antes de você demoli-la”, declarou.
À CNN Brasil, o agente do jogador, Oswaldo Botrel, afirmou que Richarlison havia adquirido os direitos dos primeiros ocupantes da área.
A propriedade está localizada em terreno pertencente à União. Por isso, a controvérsia envolve direitos de ocupação, e não a aquisição definitiva da propriedade do terreno.
Segundo o atleta, seu grupo tentou regularizar a situação na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), mas o procedimento permaneceu sem conclusão por aproximadamente dez meses.
Richarlison afirma que um pedido relacionado ao grupo de Willer Tomaz teria sido concluído em prazo muito menor, em julho de 2022.
A apresentação dos documentos não encerra a divergência jurídica sobre a validade dos direitos reivindicados pelas partes.
O que Flávio Bolsonaro respondeu sobre a ilha?
Flávio Bolsonaro nega ter participado de qualquer irregularidade relacionada à propriedade.
O senador não figura como parte na ação judicial sobre a posse do imóvel, mas foi incluído como testemunha a pedido de uma das empresas ligadas ao jogador.
Quando o caso ganhou repercussão, em novembro de 2022, Flávio afirmou que não tinha envolvimento na disputa.
“A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema”, escreveu o senador na ocasião.
Em julho de 2026, a assessoria de Flávio voltou a negar qualquer relação comercial do parlamentar com a propriedade.
Segundo a equipe do senador, ele “não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão”.
A assessoria também classificou a tentativa de associar Flávio à disputa como “factualmente infundada e eleitoralmente motivada”.
Flávio visitou a propriedade em 2021, acompanhado de Willer Tomaz. O advogado é amigo pessoal do senador e aparece como um dos principais envolvidos na disputa judicial.
O que Willer Tomaz disse sobre a propriedade?
Willer Tomaz afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação do imóvel e contesta a versão apresentada por Richarlison.
Em resposta ao jogador, o advogado declarou:
“Você comprou a ilha de invasores. Eu tenho a escritura de compra e venda.”
Tomaz também desafiou Richarlison a apresentar documentos que comprovassem a negociação e afirmou que devolveria os direitos sobre o imóvel caso as provas fossem consideradas válidas.
Em manifestação encaminhada ao UOL, o advogado exigiu a apresentação de uma escritura pública, contrato registrado ou inscrição na SPU anterior a julho de 2022, acompanhada de comprovantes do pagamento alegado pelo atleta.
Segundo Tomaz, a empresa ligada ao jogador perdeu a disputa nas instâncias judiciais e posteriormente desistiu da ação.
O advogado também afirma que a negociação feita pelo grupo de Richarlison envolveu pessoas sem direitos legítimos sobre a área.
Quem ficou com a ilha de Richarlison?
Os direitos de ocupação do imóvel estão com a WT Administração de Imóveis, empresa ligada a Willer Tomaz.
A disputa judicial envolveu, do lado do jogador, a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada ao ex-empresário Renato Velasco, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, empresa de Richarlison e de seu pai, Antonio Andrade.
O processo tramitou por aproximadamente três anos na Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em 2025, a Justiça manteve uma decisão favorável à empresa ligada a Willer Tomaz. Posteriormente, a Sport 70 e Renato Velasco desistiram do processo.
A disputa envolve uma mansão localizada na Ilha Comprida, nas proximidades do aeroporto de Angra dos Reis.
Justiça rejeitou pedido para impedir Richarlison de falar sobre o caso
A disputa também chegou à Justiça do Distrito Federal.
Willer Tomaz e sua empresa apresentaram uma ação para impedir que Richarlison publicasse novas acusações sobre a propriedade nas redes sociais.
O pedido incluía a possibilidade de multa de R$ 50 mil por publicação e indenização por danos morais.
A Justiça negou a concessão de uma medida urgente para restringir as manifestações do jogador. Na avaliação do magistrado, a proibição antecipada de publicações poderia representar censura prévia, vedada pela Constituição.
A decisão não encerrou o processo, que continua em tramitação.
Com informações da Notícias ao Minuto









