A influenciadora brasileira Malévola Alves, de 22 anos, foi presa nesta terça-feira (20), na cidade de Alexandria, no Egito, junto com uma amiga. A detenção foi confirmada pelo Ministério do Interior egípcio, que acusa as duas turistas de produzir e divulgar vídeos com comportamentos considerados obscenos pelas autoridades locais.
Antes da confirmação oficial, Malévola publicou mensagens nas redes sociais relatando que havia sido abordada durante um passeio e levada a uma delegacia. Segundo a influenciadora, os policiais recolheram seus documentos e fizeram perguntas sobre sua identidade de gênero.
“Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente. Pegaram todos os nossos passaportes e pararam nossa van no meio do passeio”, relatou.
Quem é Malévola Alves?
Malévola Alves é o nome artístico de Mariana Alves Gadelha Pereira, influenciadora digital de 22 anos, natural de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.
A brasileira reúne cerca de 900 mil seguidores no TikTok e chegou a acumular aproximadamente 1,9 milhão no Instagram, plataforma na qual também compartilhava viagens e experiências pessoais.
Mulher trans, Malévola já falou publicamente sobre sua trajetória e o processo de transição de gênero.
O nome artístico foi inspirado na personagem Malévola, famosa vilã da Disney interpretada por Angelina Jolie nos cinemas. Segundo a influenciadora, ela se identificou com a capacidade da personagem de se reconstruir depois de enfrentar situações difíceis.
Por que Malévola foi presa no Egito?
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o Ministério do Interior do Egito informou que duas turistas estrangeiras foram detidas depois que vídeos publicados nas redes sociais chegaram ao conhecimento das autoridades.
Segundo o governo egípcio, as imagens mostram as mulheres realizando gestos considerados de conotação sexual e abordando pessoas que circulavam pelas ruas.
As autoridades classificaram o conteúdo como “exibição pornográfica” e também apresentaram acusações de insinuações sexuais e assédio a pedestres.
O ministério afirmou que, durante o interrogatório, as duas admitiram ter gravado e publicado os vídeos para aumentar o número de visualizações nas redes sociais.
Essa é a versão apresentada pelas autoridades egípcias. Até o momento, não há informação de condenação das brasileiras pelos atos atribuídos a elas.
A investigação foi encaminhada ao Ministério Público do Egito.
Influenciadora diz que policiais perguntaram se ela era trans
A influenciadora relatou que ela e a amiga, identificada como Bruna, foram questionadas pelos policiais sobre suas identidades de gênero.
“Se eu sumir, vocês já sabem. Não sei o que fazer ou pedir para vocês. Eles perguntaram se eu e a Bruna éramos trans e não sabemos de mais nada. Estou desesperada. Alguém de Alexandria?”, escreveu.
A mensagem provocou preocupação entre seus seguidores e levantou questionamentos sobre a possibilidade de discriminação contra as brasileiras.
A equipe da influenciadora também manifestou preocupação com o tratamento recebido pelas duas mulheres.
Entretanto, as autoridades egípcias não apontaram a identidade de gênero como motivo oficial da detenção.
Defesa procura Embaixada do Brasil no Egito
Após a repercussão do caso, o advogado Jonatha Carvalho Matos informou que a equipe jurídica de Malévola havia iniciado contatos com a Embaixada do Brasil no Cairo e com as autoridades egípcias.
O objetivo, segundo a defesa, é assegurar a integridade física, a segurança e os direitos legais da influenciadora durante os procedimentos realizados no país.
“Ressaltamos que a situação está sendo acompanhada de maneira contínua e prioritária, com adoção de todas as providências necessárias, respeitando-se a legislação local e os tratados internacionais aplicáveis”, informou a equipe jurídica.
[Legenda]© Reprodução – Instagram
Os representantes da brasileira também pediram cautela na divulgação de informações não confirmadas.
Até a última atualização pública consultada, não havia confirmação da libertação de Malévola e da amiga.
Quais são as restrições enfrentadas por pessoas LGBT no Egito?
O Egito é um país de maioria muçulmana, com normas sociais conservadoras e restrições legais que podem atingir pessoas LGBT.
Embora a legislação egípcia não criminalize expressamente todas as relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo, autoridades utilizam dispositivos relacionados à moralidade pública e à chamada devassidão para investigar e processar pessoas LGBT.
Organizações internacionais de direitos humanos também denunciam episódios de detenções arbitrárias, discriminação e perseguição contra pessoas trans no país.
No caso de Malévola, porém, o Ministério do Interior egípcio atribuiu a prisão à divulgação de vídeos considerados obscenos e a supostas abordagens inadequadas de pedestres.
Com informações da Notícias ao Minuto








