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Trump libera venda de diesel russo sem contrapartida na guerra da Ucrânia

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A liberação do presidente Donald Trump para a venda de diesel russo não causa efeito econômico, em vista dos volumes muito limitados, mas tem vastas consequências sobre a posição dos Estados Unidos em relação ao conflito Rússia-Ucrânia.

De acordo com Trump, o “acordo” envolve a venda por parte da Rússia de “mais de” 300 mil toneladas de diesel em outubro, 500 mil em novembro e 1 milhão “depois disso”. O mundo consome 29 milhões de toneladas por dia. Trata-se literalmente de uma gota no oceano.

O diesel pode ser vendido para os EUA ou para outros países. É uma mudança radical na posição do governo americano, que, desde a invasão em grande escala da Ucrânia, tem imposto sanções contra a energia da Rússia. O próprio governo de Trump tornou essas restrições ainda mais rigorosas, antes de fazer esse movimento na direção contrária.

A motivação é aliviar a pressão de preço do diesel nos EUA, que, desde o início da guerra contra o Irã em fevereiro, subiu de US$ 3,81 para US$ 6,53, em média. O valor do diesel incide sobre setores estratégicos como transporte e agricultura.

Ele se soma ao alto custo do galão da gasolina, que saltou de US$ 2,94 para US$ 4,36, em média, dos alimentos e da moradia, prejudicando as chances dos republicanos nas eleições de um terço do Senado e toda a Câmara, no dia 3.

Mesmo assim, a medida provocou críticas não só de congressistas democratas, mas também republicanos, por representar uma concessão à Rússia sem nenhuma contrapartida. Trump chamou a guerra de “ridícula”, sublinhando a sua aparente insensibilidade com a luta dos ucranianos para preservar sua independência.

Uma das principais táticas de pressão da Ucrânia contra a Rússia têm sido os ataques com drones às refinarias russas, que diminuem a capacidade de produção de diesel e de gasolina pelo país, terceiro maior produtor de petróleo do mundo, depois de EUA e Arábia Saudita.

Com esse acordo, Trump exerce pressão sobre a Ucrânia para que suspenda esses ataques, enquanto a Rússia mantém bombardeios avassaladores contra alvos civis nas cidades ucranianas, com drones e mísseis.

Dessa forma, a Ucrânia se torna mais um efeito colateral da derrota estratégica americana frente ao Irã e a seus aliados houthis, que bloqueiam a saída de petróleo e gás liquefeito pelos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, respectivamente.

Com informações do ac24horas

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