Google ADS

Pesquisadoras da Ufac criam plataforma digital para catalogar grafismos do povo Huni Kuin

Compartilhar
Pesquisadoras da Ufac criam plataforma digital para catalogar grafismos do povo Huni Kuin

Trabalho une pesquisa de licenciatura e pós-graduação do campus Floresta da Ufac em Cruzeiro do Sul/ Foto: Ascom Ufac

Desenvolvido por alunas do campus Floresta da Universidade Federal do Acre (Ufac), o projeto Biblioteca de Kene reúne a documentação de mais de 60 grafismos tradicionais do povo Huni Kuin em uma estrutura que alia tecelagem manual em algodão, pintura corporal, acervo audiovisual e uma plataforma digital adaptada para telefones celulares.

A iniciativa surgiu em 2024 a partir da articulação entre o Trabalho de Conclusão de Curso de Txima Huni Kuin no curso de Licenciatura Indígena e a pesquisa de dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como linguagem de expressão da arte, dos saberes e da espiritualidade de sua comunidade, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atual doutoranda, somou à proposta uma pesquisa de autoria coletiva construída em conjunto com as mulheres da terra indígena.

O encontro entre os trabalhos acadêmicos resultou na criação de um repositório comunitário para que a iconografia praticada pelas mulheres Huni Kuin possa ser catalogada, ensinada e preservada pelas gerações mais jovens.

O projeto realiza uma nova fase entre este sábado (10) e a próxima sexta-feira (16), com a organização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, localizada na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Ao longo dos sete dias de atividades, mestras tecelãs e jovens aprendizes conduzem etapas de fiação do algodão, cantos rituais, aplicação do pigmento Bawe e confecção de painéis tecidos com os desenhos tradicionais. Todas as etapas estão sendo registradas para alimentar tanto o acervo focado na aldeia quanto o site colaborativo da plataforma, cuja gestão de conteúdo é exercida pelas próprias integrantes da comunidade.

A metodologia do projeto reflete o conceito de que “a universidade é na aldeia”, formulação do pesquisador e liderança Yube Huni Kuin, também aluno da Licenciatura Indígena da Ufac. A premissa valida o território e os rituais das comunidades como centros legítimos de produção e transmissão de conhecimento acadêmico e cultural.

A realização da 2ª Oficina de Kene é assinada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela comunidade da Aldeia Arco-Íris. A ação conta com o suporte do curso de Licenciatura Indígena da Ufac, da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), do Governo do Estado do Acre, além do financiamento do Ministério da Cultura e do Governo Federal por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

Com informações da ContilNet

Rolar para cima