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Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o 2º turno da eleição presidencial

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão decidir a eleição presidencial de 2026 no segundo turno.

Com 96,60% das urnas apuradas, o candidato do PL tem 47,72% e o petista tem 44,70%. A nova votação será em 25 de outubro.

O resultado prolonga por mais três semanas uma disputa que recolocou PT e bolsonarismo frente a frente pelo comando do país, mas com uma mudança no lado da direita.

Fora das urnas, Jair Bolsonaro deu lugar ao filho, escolhido para representar o grupo político da família na corrida pelo Palácio do Planalto.

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, disputa a Presidência pela primeira vez. Formado em Direito, ele iniciou a carreira política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde cumpriu quatro mandatos, e está no Senado desde 2019.

Antes da disputa deste ano, a única tentativa do filho mais velho de Jair Bolsonaro em uma eleição ao Executivo ocorreu em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio e ficou fora do segundo turno.

A partir desta segunda-feira (5/10), as duas campanhas passam a disputar diretamente os eleitores dos outros 11 candidatos que ficaram pelo caminho.

Foram 49 dias de campanha em um primeiro turno marcado novamente pela polarização entre petismo e bolsonarismo. À medida que oscilavam e trocavam de posição nas pesquisas de intenção de voto, Lula e Flávio Bolsonaro também se revezaram no centro das principais polêmicas da disputa.

Os dois passaram a campanha tentando transferir para o adversário os principais desgastes da eleição. Lula explorou a ligação de Flávio com o pai, defendeu as ações do governo e buscou associar o bolsonarista às suspeitas do escândalo do Banco Master.

Pressionado pelas pesquisas, o presidente também recorreu a uma série de medidas com impacto direto no bolso da população. Ao longo dos últimos meses, o governo lançou uma nova edição do Desenrola Brasil, adotou medidas para conter a alta dos combustíveis e acabou com a tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”.

Com novos levantamentos apontando Flávio Bolsonaro na liderança, cresceu nos bastidores a insatisfação de aliados de Lula com a condução da campanha. Na reta final, o presidente mudou o tom e passou ao confronto direto com o adversário.

O governo também anunciou novas medidas: lançou um novo Desenrola, reajustou o Bolsa Família em cerca de 15% e editou uma medida provisória para proibir a operação de apostas esportivas e cassinos on-line no país.

Flávio Bolsonaro em visita a Paraíba

Flávio, por sua vez, tentou reacender o antipetismo que ajudou a levar o pai ao Planalto em 2018. Concentrou ataques na gestão petista sobre a economia e segurança pública, repetiu ações usadas por Jair Bolsonaro em campanhas anteriores, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e explorou suspeitas envolvendo um dos filhos de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e pessoas próximas ao presidente.

Ao mesmo tempo, o senador buscou se apresentar como uma figura diferente do pai e chegou a admitir erros cometidos durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2023. Parte dessa tentativa passou pela aproximação com o eleitorado feminino, segmento em que o ex-presidente encontrava maior resistência. Assim como o pai, Flávio também dedicou atenção especial à mobilização nas redes sociais.

Desacreditado no início da disputa, quando foi escolhido por Jair Bolsonaro para representá-lo nas urnas em 2026, Flávio também precisou enfrentar divisões dentro da própria base bolsonarista.

A candidatura demorou a ganhar força nas pesquisas diante do desconhecimento de parte do eleitorado e do fogo amigo de caciques partidários que buscavam uma alternativa e defendiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para o Planalto. Mesmo assim, Flávio chegou ao primeiro turno sem outros partidos coligados ao PL.

Crises e Banco Master

Entre a pré-campanha e o primeiro turno, não faltaram crises. Para aliados de Flávio Bolsonaro, por exemplo, a necessidade de administrar sucessivos desgastes envolvendo o senador acabou tomando mais espaço do que a discussão de propostas.

Flávio se viu no centro de uma disputa político-familiar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e também sofreu desgaste com as ofensivas do governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

O caso que mais acompanhou sua campanha, porém, envolveu o filme Dark Horse, produção sobre a eleição que levou Jair Bolsonaro ao Planalto, financiada com dinheiro do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal investiga o destino de R$ 61 milhões repassados para a produção, e Flávio foi incluído no inquérito aberto no STF. Documentos da investigação também revelaram mensagens entre o senador e Vorcaro durante as negociações do financiamento. O candidato nega irregularidades e afirma que o projeto foi bancado com recursos privados, sem uso de dinheiro público.

Flávio Bolsonaro também foi atingido por uma onda de publicações nas redes sociais que atribuíam a ele o desejo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O senador nunca defendeu publicamente nem encampou propostas com esse objetivo.

Do lado petista, crises internas também marcaram a campanha. As investigações sobre as relações de Lulinha e do ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, com a lobista Roberta Luchsinger passaram a ser exploradas pelos adversários.

Os embates envolvendo o Supremo também ganharam espaço. Na reta final, a campanha de Flávio passou a explorar principalmente a relação do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro e transformou o magistrado em personagem recorrente dos ataques dirigidos ao presidente.

Lula x Flávio Bolsonaro: as datas do 2º turno

No segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro voltam a disputar o apoio do Centrão e também dos candidatos que não avançaram.

A campanha recomeça já nesta segunda-feira (5/10), com a liberação de atos de rua e anúncios na internet.

Em 9 de outubro, a propaganda eleitoral retorna ao rádio e à TV.

O horário eleitoral gratuito termina em 23 de outubro, data-limite também para a realização de debates.

Em 24 de outubro, véspera do pleito, encerra-se o prazo para carreatas, caminhadas e distribuição de material de campanha.
No domingo, 25 de outubro, os eleitores voltam às urnas para decidir quem comandará o país.

Disputas na Justiça

As últimas semanas também foram marcadas por uma sucessão de disputas na Justiça Eleitoral sobre o que poderia ou não ser dito nas redes sociais, no horário eleitoral e nas inserções de rádio e televisão. As publicações sobre Nossa Senhora Aparecida estiveram no centro dessa batalha.

Com informações do ac24horas

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