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Flávio usou jatinho de Vorcaro em viagem dos EUA ao Brasil, diz revista

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O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, usou, em janeiro de 2025, uma aeronave do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (23) pela revista Piauí.

A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, é a mesma que transportou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em agosto do ano passado.

Na data do voo de Flávio, Vorcaro tinha um terço das cotas da aeronave através da empresa Prime You, da qual era sócio.

O voo teria partido de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, até Brasília. Ainda segundo a reportagem, Flávio viajou acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.

Também estaria no voo o advogado e empresário, Willer Tomaz, que foi alvo de investigação no esquema de desvios e fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). De acordo com a revista, Tomaz seria dono de uma das três cotas do avião.

A Prime You era também a operadora do avião, por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. De acordo com a empresa, a Prime You teve Vorcaro como sócio de 2021 até setembro de 2025.

Conforme relatório da Polícia Federal, cada uma das cotas do avião 33,33% valia US$ 5,5 milhões em maio de 2025. Segundo a reportagem, a proprietária formal da aeronave era a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., uma sociedade com propriedade compartilhada do jato.

A divisão era feita em três partes: Willer Tomaz, por meio da empresa Alcazar Holdings; Laércio Cosentino, fundador da TOTVS; e a terceira, que já pertenceu ao empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da petroquímica Unigel, e teria sido vendida à Prime You, de Daniel Vorcaro, “no fim de 2024”.

A reportagem da Piauí também afirma que Flávio e Tomaz mantinham relação próxima e fizeram outras viagens juntos. Em agosto, o senador teria usado durante a campanha em São Paulo um apartamento que a empresa de Tomaz havia comprado, em fevereiro, de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

A CNN procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro e aguarda resposta.

Nas redes sociais, Flávio fez uma publicação sobre o assunto: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, disse o senador no X.

Willer Tomaz afirmou, via assessoria, que “não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza”.

Segundo ele, apenas em abril de 2026 descobriu que Vorcaro “teria igualmente adquirido cota da aeronave” e que, ao tomar conhecimento disso, “denunciou o contrato, encontrando-se, desde então, em litígio” com a Prime You.

O advogado negou conhecer Vorcaro. Ele também afirmou que oferecia “carona” a amigos quando havia disponibilidade na aeronave, “sem qualquer custo, contrapartida ou benefício de parte a parte”. Ele não respondeu à revista se Flávio foi seu convidado naquele voo.

Jantar sob sigilo
A viagem de Flávio no jatinho teria ocorrido em meio a uma suposta aproximação do senador com Vorcaro. Em dezembro de 2024, como a CNN mostrou, as tratativas para um jantar entre Flávio, Vorcaro e Jair Bolsonaro (PL) foram mencionadas em conversas obtidas pela PF no celular do empresário.

Em janeiro, o publicitário Thiago Miranda intensificou negociações para garantir um contrato de financiamento de Vorcaro ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Tratativas dos repasses foram feitas diretamente por Flávio.

Um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez, em 16 de novembro de 2025, Flávio cobrou recursos ao filme em áudio revelado pelo Intercep Brasil. Como também mostrou a CNN, Vorcaro fez repasses até setembro do ano passado.

O valor total negociado seria de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. A PF ainda investiga o caminho do dinheiro e se todas as parcelas pagas foram de fato direcionadas para a produção do filme.

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