Ausente no primeiro debate presidencial dessa eleição, o candidato à reeleição Lula (PT) foi o principal alvo das críticas de seus adversários.
O que aconteceu
Os ataques contra Lula começaram já no primeiro bloco. Renan Santos (Missão) iniciou as críticas contra o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que também se ausentou, mas depois focou em Lula. Ele chamou o presidente de “tranqueira” e “canalha”. “Sou um brasileiro indignado que nos últimos 12 anos enfrentou a roubalheira desse canalha do Lula”, disse.
Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) não pouparam nas críticas. O ex-governador de Goiás disse que Lula expulsa os geradores de emprego do Brasil. “Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder o caos que está a educação”, afirmou Cury. O escritor disse ainda que o governo petista tem “coração social, mas é extremamente assistencialista”.
Renan chamou eleitor de Lula de “canalha”. O candidato do Missão afirmou que parte do eleitorado do petista está no Bolsa Família, “porque ainda acredita que Lula é a única fonte de comida dele”. “O eleitor restante que apoia esse cara está sendo canalha. Canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”, apontou Renan.
Cury criticou a “agressividade” de Renan e disse que isso o “assombra”. O escritor afirmou que o candidato pode criticar as ideias do petista, “que são criticáveis, mas não pode criticar a pessoa a transformando numa escória humana”. “Nem mesmo eleitor de Lula”, apontou o candidato do Avante. Os púlpitos dos faltosos foram mantidos no palco.
A campanha de Lula cobrou o convite da Band para outros candidatos que não seriam obrigados por lei a estar no debate. Já a equipe de Flávio decidiu faltar com a ausência do petista por entender que o principal adversário do senador é o presidente. Hoje mais cedo, Romeu Zema (Novo) decidiu que também não iria ao confronto.
Os candidatos já haviam criticado os ausentes antes de entrarem no estúdio. Renan mostrou à imprensa fraldas com os nomes de Lula e Flávio. Caiado afirmou que os adversários não deveriam sequer ter o registro de candidatura mantido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diante da falta no debate.
As críticas contra Flávio foram menos frequentes. Renan citou as investigações contra o senador no escândalo da rachadinha. Caiado também lembrou da suposta ligação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro. O ex-governador disse ainda que Flávio e Lula não respeitam a opinião pública.
Também ausente, Flávio divulgou um vídeo em redes sociais durante o debate. Ele criticou Lula e afirmou que os candidatos que estavam na Band não eram os seus adversários. “Quero debater com quem não acredita em Deus, porque quando eu for presidente”, disse.
O Flávio ontem foi para Barretos dançar. Estava dançando igual um imbecil lá em Barretos. O Lula, coitado, tem que ficar lá com aquela Janja. Era mais fácil ter vindo no debate, ter companhias melhores. A situação é assustadora. Assustadora para o nosso país.
Renan Santos, candidato à Presidência
Ausências
Cury chegou a anunciar que não participaria do debate na porta da Band. O candidato do Avante abriu uma live em frente ao prédio da emissora para dizer que estava magoado com a polarização. Minutos depois, ele voltou atrás e decidiu participar do confronto por respeito, segundo Cury, ao ex-diretor de jornalismo da Band Fernando Mitre.
No horário do debate, a Record exibiu uma entrevista com Lula. A entrevista foi gravada no Palácio do Planalto e divulgada nas redes do petista. Ele e a Record foram criticados pelos candidatos por isso. Cury classificou o anúncio da entrevista como a “gota d’água”. Já Renan disse que a emissora se comporta como “moleque”.
O UOL procurou a Record para comentar o assunto. O espaço está aberto para manifestação.
O escritor disse que valeu a pena ter participado do programa. À imprensa, ele negou que o recuo da desistência tenha sido uma estratégia de marketing e voltou a falar que estava “magoado” com a polarização do Brasil.
Renan falou que se “beneficiaria” com a presença de Lula e Flávio. Para o candidato, seria melhor criticar os adversários pessoalmente para “ver a cara” de cada um dos candidatos após os questionamentos.
Caiado defendeu a obrigatoriedade dos candidatos a participar de debate. “Vou apresentar um projeto de lei para que, aquele que oficializar sua campanha, seja obrigado a participar do debate. É inaceitável o que aconteceu aqui hoje”, disse aos jornalistas.
Fim da escala 6×1 e mulheres
Renan criticou o fim da escala 6×1, dizendo que “até a Casas Bahia quebrou”. Segundo ele, é necessário fazer reformas, alterar a lei trabalhista para facilitar contratações e não precisar pagar tanto imposto para receber salário.
Cury rebateu o candidato e afirmou que 30% de trabalhadores do Brasil estão com burnout. “A escala 5×2 atende a necessidade dos trabalhadores. Eles vão poder ter mais tempo com a família, mais qualidade de vida e produzirão mais.” A pauta é defendida pelo governo Lula.
Os candidatos também prometeram combater o aumento da violência contra a mulher. Caiado citou o trabalho feito em Goiás, já Cury criticou o crescimento dos feminicídios e disse que “cada mulher é um ser único e irrepetível”.
Elas recebem 21% a menos que os homens pelos mesmos trabalhos. Isso é vergonhoso. E ninguém resolveu essa equação. Nem Bolsonaro nem Lula da Silva. Quero dizer que o Brasil não pertence a duas famílias, o Brasil pertence aos brasileiros. E, além disto, uma crueldade sem precedente, elas pagam 4% a mais de juros por ano, embora sejam melhores pagadoras que os homens. Isso é uma crueldade.
Augusto Cury, candidato pelo Avante







