Márcia Bittar elogia filho por abrir mão do Fundo Eleitoral; em 2022, ela recebeu R$ 1 milhão do Fundo Partidário

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A ex-candidata ao Senado pelo Acre Marcia Espinosa Bittar, mãe do candidato a deputado federal João Paulo Bittar e ex-esposa do senador Marcio Bittar (PL), usou as redes sociais nesta segunda-feira (17) para elogiar a decisão do filho de abrir mão do Fundo Eleitoral na campanha de 2026. A manifestação contrasta com o modelo de financiamento utilizado por ela própria na disputa pelo Senado em 2022.

Marcia compartilhou o vídeo em que João anuncia a decisão de não utilizar recursos do Fundo Eleitoral e escreveu: “Criei foi um homem”. Na mesma publicação, afirmou que pretende participar da campanha do filho. “Partiu ajudar meu filho na campanha pra federal. Muito orgulhosa dele”, escreveu.

João Bittar, de 34 anos, anunciou nesta segunda-feira que decidiu abrir mão do Fundo Eleitoral depois de, segundo ele, terem ocorrido “mudanças importantes na estrutura financeira” da chapa para deputado federal. O candidato afirmou ainda que chegou a pensar em desistir da disputa. “Uma palavra passou pela minha cabeça nos últimos dias. Desistir”, declarou.

Segundo João, a decisão de permanecer na disputa e abrir mão dos recursos públicos foi tomada após conversar com o deputado federal Nikolas Ferreira e com o pai, Marcio Bittar. “Pensando nisso, eu decidi abrir mão do Fundo Eleitoral. Isso mesmo, minha campanha não será financiada com recurso público”, afirmou.

A escolha do candidato ocorre após ele declarar à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1.238.400. Entre os bens informados estão uma casa residencial avaliada em R$ 600 mil, uma participação na empresa Miva Participações e Administração Ltda., declarada por R$ 300 mil, R$ 110 mil em outras aplicações e investimentos, R$ 100 mil em renda fixa e R$ 120 mil em dinheiro em espécie.

O elogio feito pela mãe ganha um elemento de contraste quando comparado à prestação de contas da campanha dela ao Senado em 2022.

Segundo os dados apresentados na prestação de contas eleitoral, Marcia recebeu naquele ano R$ 2.107.527,25 em recursos líquidos. Desse total, R$ 1.000.873,42 foram classificados como provenientes do Fundo Partidário, o equivalente a 50,93% dos recursos recebidos.

Na mesma prestação, as despesas classificadas como provenientes do Fundo Partidário somaram R$ 835.788,99, correspondentes a 42,55% do total de despesas registradas.

A prestação de contas apresentada nas imagens consultadas não registra recursos na categoria “Fundo Especial”, utilizada para identificar o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral.

A diferença, portanto, está entre as escolhas feitas nas duas campanhas: em 2022, Marcia teve R$ 1 milhão em recursos recebidos do Fundo Partidário e registrou R$ 835,8 mil em despesas vinculadas a essa fonte. Em 2026, ela comemora a decisão do filho de não utilizar o Fundo Eleitoral.

Fundo Partidário e Fundo Eleitoral, porém, não são a mesma coisa. O Fundo Partidário é destinado aos partidos políticos e pode ser utilizado em diferentes finalidades previstas na legislação. Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi criado especificamente para financiar campanhas eleitorais.

Marcia disputou o Senado pelo PL em 2022 e não foi eleita. O registro eleitoral daquele ano confirma sua candidatura pelo partido, com o número 222.

Veja o vídeo:

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